Para sempre

12/11/2009 por Vanessa M.

Como posso explicar o porque de tanta paixão, como posso saciar meu desejo. O que é gostar? O que é amar? É inventar a vida como se antes nada existisse. É queimar como fogo em tempestade. É ser pego de repente sem esperar. É querer estar presente sem poder estar. É ser criança e acreditar.

Poderei sonhar ou viver um sonho. Poderei chorar ou enxugar o pranto
Poderás amar e ser amado. Poderás adormecer em um porto seguro
Poderás acordar quando quiser.

Quero falar palavras verdadeiras. Quero provar seu suor. Quero escutar o vento que vem de longe. Quero realizar teus desejos. Quero protegê-lo. Quero respeitá-lo. Quero tê-lo como amigo, como criança, como serpente. Mas sempre presente ,sempre amante . Sempre ali, me presenteando com sua imagem. Com sua beleza, com sua verdade. Com sua ternura, com sua força. Com seus medos e receios, e com sua coragem ….é claro sua coragem….

Com seus braços e abraços. Com seus lábios e beijos. Com suas palavras e conselhos. Com seus gestos e apego. Com a vontade de ser feliz. Por favor, eu te peço, continue sendo assim. E não me condene à solidão…Por querer ti tanto bem…

Quem é você

04/11/2009 por Vanessa M.

Você é os brinquedos que brincou, as gírias e palavrões que usava, você é sua praia predileta, você é o nervosismo no vestibular, você é as festinhas da escola, os segredos que guardou, a conversa séria – briga que teve um dia com seu pai, a infância que você recorda, você é o renascido depois do acidente que escapou, você é aquele amor atordoado que viveu, você é o que você lembra.

Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora,
você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção do final de um livro, a cena narua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora.

Você é o abraço inesperado, você é o pêlo do braço que arrepia, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda.

Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, a força dada para o amigo que precisa, você é as palavras ditas para ajudar, você é o desprezo pela mentira, você é a indignação com lixo não reciclado, o desesperança com o governo, você é o preconceito semeia, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a revolta que arde, você é o que você queima.

Você é aquilo que reinvidica, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia.

Você não é só o que come, o que veste e principalmente você não é aquilo que diz nem aquilo que mostra. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.

Quem é você.

A última despedida

25/10/2009 por Vanessa M.

Depois que uma relação termina temos que nos acostumar com a falta de perspectiva, a sensação de rejeição, a ausência,aquela falta de beijos e abraços, falta da conversa e a dor da falta da presença do ser amado.

Mas quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: o ritual de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa. Isso também dói demais.
Creio que ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um ‘souvenir’ de uma época bonita que foi vivida, passou a ser um bem de valor
inestimável, é uma sensação com a qual a gente se apega. Abrir mão de algo que em dado momento da vida foi importante e vivido em plenitude e que de certa maneira entranhou-se na gente e que só com muito esforço é possível se livrar, dói.

Essa dor não é aquela dor de término, nem a dor da perda. É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que as outras.
É uma dor que nos confunde… Pois a pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justifica como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas de que: Eu amo logo sou ser humano que sabe amar.

Despedir-se dessa dor é despedir-se da condição de ser humano até que se volta a amar novamente. Desperdir-se dessa dor é o arremate de uma história que terminou completamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente…

Espero ansiosamente o dia de dizer: Adeus

A ‘pior’ vontade de viver?

17/10/2009 por Vanessa M.

Tudo mundo sabe que a escritoria que mais entendia de subversões emocionais era Clarice Lispector andei relendo algumas de suas obras, e encontrei no conto “Amor”, do livro “Laços de família”, uma de suas frases que se tornou a minha predileta.
Ela descreve o sentimento da personagem Ana assim: “Seu coração enchera-se com a pior vontade de viver.” Ela, “a pior vontade de viver” é complexa, angustiante, subjetiva e intensa. Aquela que não está disposta a negociar com a vontade dos outros.

Mas esta que foi chamada de a “pior” vontade pode ser também uma vontade inocente e genuína. Talvez essa vontade da criança que ainda levamos dentro, entranhada. A “pior” vontade é curiosa, quer observar pelo buraco da fechadura e depois, mais ousadamente, abrir a porta e entrar no quarto proibido. É o desejo de açúcar, de traquinagem, de fazer algo escondido, de quebrar algumas regras, de imitar os adultos.
A “pior” vontade não quer ganhar medalha de honra ao mérito, não quer posar para fotografias, não quer completar bodas de ouro nem ser jubilada. A “pior” vontade não faz a menor questão de ser percebida, ela quer ser realizada. É quando você sabe que não deveria, mas vai. Sabe que não será fácil, mas enfrenta.
A “pior” vontade é a de não se enraizar, não assinar contrato de exclusividade, não firmar compromisso, não se render às vontades fixas, apenas às vontades momentâneas, porque as fixas correm o risco de deixar de serem vontade para se transformarem em vaidade – como se sabe, há sempre aqueles que se envaidecem da própria persistência.

A vontade oficial, a vontade santinha, a que não causa incômodo, é a outra, a aprovada pela sociedade, a que não leva em conta o que vai no seu íntimo, e sim a opinião pública. É a vontade que todos nós, de certa forma, temos de mostrar para os outros que somos felizes, sem saber que para conseguir isso é preciso, antes, ter a”pior” vontade, aquela que faz você descobrir que ser feliz é ter consciência do efêmero, é saber-se capaz de agarrar o instante, é lidar bem com o que não é definitivo – ou seja, tudo.

É com esta “pior” vontade de viver que você atrai os outros, que seu magnetismo cresce, que seu rosto rejuvenesce e que você fica mais interessante.

É uma pena que nem todos tenham a sorte de deixar vir à tona esta que Clarice Lispector chamou de “a pior vontade de viver”, e que, secretamente, é a melhor.

Trocando o espelho

14/10/2009 por Vanessa M.

Uma amiga me disse que está se achando gorda, feia, desprezível. Só que ela não é nada disso. Ela está apenas um pouco acima do peso ideal, e feia não é de jeito nenhum. É uma mulher inteligente, divertida, bacana. O problema é que ela precisa da aprovação de uma pessoa que está fora, para ver-se com olhos mais generosos.

Eu seu que todo ser humano necessita despertar desejo em alguém e sentir-se deseja é sem dúvida um UP para auto estima de qualquer um.
É bom quando as pessoas nos olham e nos diferenciam de uma cadeira, quando isso não acontece à coisa vai mal.
Isso acontece muito naquela instituição, como é mesmo o nome? Casamento. Ah.. no casamento….Os dois seguem a vida se amando, mas já estão há tanto tempo juntos que não faz mais diferença se a mulher embarangou ou se o marido perdeu os dois dentes da frente: “amo você de qualquer jeito, bem”. Ama, sem dúvida. Mas não enxerga mais. É aí que mora o perigo.

Homens e mulheres precisam de um espelho que lhes diga constantemente o quanto são interessantes e atraentes. Se o espelho rachou em casa e não reflete mais nada, das duas uma: ou a gente se entrega ao desleixo, ou vai buscar reflexos de si mesmo em outro alguém.

E minha amiga, está a ponto de trocar de espelho. Porque a gente se apaixona por si próprio à medida que nos enxergamos através dos olhos dos outros. Isolados numa ilha – ou trancados num apartamento – a tendência é não enxergarmos grandes atrativos em nós. Mesmo sabendo que somos pessoas legais, precisamos de alguém que confirme isso.

Ok, com a auto-estima em dia, não dependemos tanto assim da apreciação alheia. Mas ninguém consegue manter-se em alta por muito tempo sem comprovar que é amado, gostado e desejado.

Eu conheço mulheres muito mais gordas que minha amiga, e menos bonitas e inteligentes do que ela, mas que não sentem vergonha do próprio corpo, seguem no jogo da vida, ganhando mais do que perdendo. São bem amadas por amigos e namorados, portanto a imagem que têm delas mesmas é menos rigorosa. E acabam se tornando belas de verdade.